terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A primeira noite de janeiro


                                      Foto: Internet.



Já era tarde da noite e eu não consiga conter meu riso frouxo

Você, do lado esquerdo da cama, tentava dormir

Um sorriso se escondia no canto inferior dos seus lábios

Mas as linhas do seu rosto indicavam o seu cansaço

Virei de lado

Você rapidamente acompanhou o movimento do meu corpo,

Encostou sua pele na minha

Com as mãos já adormecidas tentou acariciar meus cabelos

Os dedos escorregaram sobre a minha face e ali ficaram...    

E eu, como mágica, adormeci.

03 de janeiro de 2018

Leitura para quando você crescer






                                       Foto: arquivo pessoal


                                      Há nos vãos entre uma linha e outra os sonhos de criança
                                      Há nos traços fadas e bruxas lendo imaginação,
                                      Fantasia, carnaval e arco íris depois da chuva.
                                      Há numa simples mão uma tela crua,
                                      Ansiando para colorir o mundo
                                      E apanhar nos pequenos dedos a vida que corre bela lá fora.



16 de janeiro de 2018.

sábado, 6 de maio de 2017

A crise dos 23 anos


Ter 23 anos, para mim, não tem sido uma poesia. Apesar dos inúmeros sentimentos e sensações que têm habitado em mim...
Ontem em uma das minhas crises existenciais alguém muito especial me sugeriu escrever, fazer uma poesia. Logo de imediato descartei a hipótese, escrever pareceria algo muito distante de uma solução para meus conflitos internos. Porém, hoje senti aquela necessidade feroz de pôr tudo para fora. E como de costume, nunca sei como este texto irá terminar, se irei conseguir expulsar tudo aquilo que me consome ou se farei apenas mais um texto dramático ou sem sentido. O importante ainda é pôr para fora.
Tenho encontrado a enorme dificuldade em me encaixar: nas roupas, na casa, na rotina. Um dia desses vesti um dos meus vestidos prediletos, um dos inúmeros estilo “boneca” que tenho em meu guarda roupa. Senti-me estranha, como se aquela roupa tão adorável não combinasse mais comigo, apesar de eu desejar olhar no espelho e encontrar a imagem que eu tanto gostava. Vesti então uma roupa diferente, mais madura, mais mulher e novamente me deparei com a sensação de me olhar no espelho e não me enxergar. E isto não tem acontecido somente com as roupas, não tenho mais me encontrado no meu próprio lar. É como se a casa que eu sempre morei não fosse mais minha e sim somente dos meus pais. Tenho me deparado constantemente com o fato de não encontrar objetos banais, como um produto de limpeza ou um balde, me parece que já não sei mais como tudo funciona por aqui. Não consigo mais pedir conselhos aos meus pais, quase tudo que aprendi precisei transformar para caber em mim, minhas ações, minhas interpretações e minhas próprias resoluções de problemas do dia a dia passam a ser a minha maneira. Ao mesmo tempo tenho me sentido só, como se não houvesse ninguém no mundo a quem pedir um conselho. A faculdade é outra coisa dos meus 23 anos que não tem se encaixado, professores exigentes, provas daquelas que você precisa decorar e logo depois de fazer já esqueceu, exigências fúteis quando se está no último ano da faculdade e precisa se dedicar a prática mais do que nunca. Mas acredito que o último ano da faculdade deve ter seus problemas tenha você qualquer idade.
Já iniciei e pausei este texto diversas vezes, um sábado à tarde sempre exige muito e como de costume eu não me achei em vários afazeres deste dia. As vezes parece que o domingo não é diferente de segunda e terça não é diferente de sexta, é assim quando se vive uma rotina a qual não se é mais feliz. Por momentos o desejo de ser mãe me invade, queria que minha rotina fosse invadida por ações como arrumar os brinquedos espalhados pela casa, passar o uniforme da escola e ajudar no dever de casa. É algo que cresce cada vez mais em meu coração. Fico imaginando como seria as inúmeras entrevistas e visitas, o que eu responderia quando me perguntasse o porquê de querer ser uma gestante de tempo indeterminado. Fico também imaginando como seria a sua reação ao me ver, se você seria pequenino demais para dizer alguma coisa ou se já fosse capaz de me fazer várias perguntas. Fico pensando em como seria a cor dos cabelos e dos seus olhos, se seria menina ou menino, como seria o seu abraço e o seu cheiro. De repente outras inquietações aparecem, o que eu diria sobre o seu primeiro pesadelo e como eu lidaria com as dificuldades da escola. E neste exato momento eu me pego escrevendo inúmeras lindas sobre você em poucos minutos. Como pode a gente amar alguém que ainda nem conhecemos? e que talvez nem nasceu ainda? Talvez ainda não tenha nascido fisicamente, mas já nasceu e continua crescendo cada vez mais em meu coração.
Acho que já fugi do assunto... abrir o coração tem dessas coisas, falamos sem usar muito a razão e quando vemos já contamos até nossos sentimentos mais secretos. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Poemas inéditos de 2016

Os olhos insistiam em estar marejados
Por aquilo que não se via
Pelo aquilo que não se podia tocar

Era um mar aberto
Expandido por todos os lados
Emergindo a vida em todas as suas fronteiras
Era um azul claro e profundo habitando em mim.

08 de novembro de 2016
Sabrina Stolle



A vida passou leve feito sussurro ao pé do ouvido
Não era primavera e nem dia de sol.
Tentei apanha-lá
Mas ela se desfez feito bolha de sabão.

25 de novembro de 2016
Sabrina Stolle


É primavera no meu olhar quando te vejo

São sóis que percorrem minha face quando sorri

Uma festa na cortina matinal da janela da minha alma quando você vem...

20 de dezembro de 2016
Sabrina Stolle


Nosso lar

Quero luzes pequenas e coloridas na parede do nosso quarto, um pisca pisca que permita eu enxergar de forma tênue e suave o seu olhar a me fitar.
Quero olhar a pia com dois jogos de xícaras sinalizando o nosso elo matinal. Desejo também que com o passar dos anos a louça se multiplique aumentando o nosso nós.
Quero estender  no varal um lençol florido, com pétalas que escondem os nossos sussurros e gemidos mais secretos.
Quero ver as cortinas balançarem feito bailarinas que dançam enquanto corremos pela casa com nossos risos felizes.
Quero encontrar em cada detalhe da casa um pouco de mim, de você, de nós. Minha porta amarela e seu Buda na sacada.
Quero os garfos e panelas que escolhemos juntos. Quero tijolos soldados com amor.
Quero um lar com cheiro de sonho realizado e com sabor de felicidade.

15 de dezembro de 2016
Sabrina Stolle